Borussia Dortmund no fundo do poço

Foi o maior desastre da história recente do Borussia Dortmund. Sebastian Kehl e Matthias Sammer, futuros assessores especiais da Diretoria do clube auri-negro, devem ter ficado horrorizados com o que viram sábado na Allianz Arena em Munique.

Ao término do primeiro tempo o Bayern já vencia por 5 a 0 e Kehl deixou o estádio no intervalo enquanto que Sammer só conseguia dizer “…coisas deste tipo não podem acontecer, não é bom para o moral do time…”. Simplesmente, foi a maior goleada sofrida pelo Borussia Dortmund desde 1991. O time está no fundo do poço.

O Técnico

Matthias Sammer, como assessor especial, certamente vai discutir com a Diretoria a questão da permanência ou não do técnico Peter Stöger. O diretor de esportes Michael Zorc deixou claro que uma decisão a respeito deverá ser tomada já nas próximas semanas.

Entretanto, após a debacle em Munique no último fim de semana, parece certo que a definição sobre o comando técnico do elenco não será favorável a Peter Stöger. O próprio treinador questionou o seu trabalho logo depois do jogo com o Bayern.

Ironicamente ele afirmou: “Depois desta derrota, a minha posição no clube certamente não se fortaleceu. De outro lado, minha vida não se resume ao fato de ser técnico do Borussia Dortmund ou não. Sou uma pessoa bem resolvida profissionalmente.”

Qualquer que seja o próximo treinador auri-negro, sua tarefa não será fácil. Atualmente, em Dortmund, fala-se muito em Lucien Favre e Ralph Hasenhüttl.

O time

O fracasso deste fim de semana deixou claro definitivamente que a estrutura e o conjunto do time não funcionam mais e que haverá necessidade de uma verdadeira revolução no elenco.

Líderes naturais como Mats Hummels, Sven Bender e Neven Subotic (apnas para citar alguns) fazem muita falta e não foram substituídos à altura. Além disso, o Borussia se ressentiu muito da saída de talentos individuais como Lewandowski, Gündogan e, mais recentemente, Dembelé e Aubameyang.

Isto sem contar que o miolo da zaga e o meio campo defensivo carecem de jogadores altamente qualificados, expondo a defesa auri-negra à situações constrangedoras, como ocorreu no último sábado. Basta dizer que o Dortmund tem a 8ª defesa mais vazada do campeonato (39 gols sofridos em 28 jogos).

Não bastasse isso, se percebe claramente que os jogadores carecem de uma mentalidade forte: “Nos rendemos aos bávaros já no começo da partida. Faltou profissionalismo. Valores básicos do futebol como garra, empenho e disposição foram deixados de lado”, declarou Michael Zorc depois do jogo.

Resumindo: O time está desestruturado. Em campo não há liderança e também não tem um ou dois talentos que poderiam resolver a parada. O atual terceiro lugar que o time ocupa na tabela é enganoso.

Será preciso reconstruir o time inteiro e para tanto a aquisição de jogadores de talento e liderança será fundamental. E não apenas isto: vai ser necessário fazer uma reformulação tal no elenco que muitos jogadores deverão ser dispensados.

 

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    2 thoughts on “Borussia Dortmund no fundo do poço

    1. Dura e real análise desse grande clube alemão.
      Certamente, a diretoria esportiva merece ser avaliada, pois permitiu que se chegasse a esse ponto. Contratações enganosas; jogadores forçando saída; uma briga mal explicada e/ou ridícula com o antigo treinador, tenha ele capacidade ou não; excesso de jogadores sempre no departamento médico.
      O BVB merece muita análise, e não pode ficar muito tempo deitado no divã.

    2. Gerd Wenzel, eu espero estar errado na minha análise, mas acredito que essa equipe nunca mais foi a mesma após a saída de Jurgen Klopp. Além de ter conquistado os últimos 2 títulos de Bundesliga do Dortmund, Klopp soube montar uma equipe competitiva e coesa, mesmo não tendo os astros do Bayern à sua disposição. A equipe tinha muita força mental e não se abalava após tomar um gol. Como foi citado no comentário do Celso, a diretoria do Borussia tem que ser avaliada por conta desses erros administrativos. Concordo contigo, Wenzel, quando diz que muitos jogadores terão que ser dispensados ao fim dessa temporada. Veteranos como Schmelzer e Piszczek, que já fizeram muito pelo clube, deveriam ser os primeiros a sair. Dahoud e Isak, que estão sendo pouco utilizados, poderiam ser emprestados para jogar com mais frequência. Os demais seriam avaliados pelo novo treinador, que sabe que terá um desafio e tanto na carreira…

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