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Os Jogos Olímpicos
costumam ser cantados em
prosa e verso como um
gigantesco exemplo da
confraternização entre
os povos onde todos os
participantes, a par das
competições esportivas,
têm a oportunidade de
conviver com outras
culturas e expressar-se
livremente sobre
qualquer tema, num
ambiente de liberdade e
respeito.
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No que se refere à
última parte do dito
acima, não será o caso
dessas Olimpíadas de
Pequim. |
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Cada um entende os jogos
como quer: o Ocidente
acha que será uma
oportunidade única de
levar valores
democráticos à China
contribuindo assim para
uma futura abertura do
regime; o partido
comunista chinês entende
que as Olimpíadas são
uma clara demonstração
de sucesso do seu modelo
político e econômico e o
mundo dos negócios
espera que os jogos
terminem logo para poder
continuar faturando alto
às custas da mão de obra
barata das massas
operárias chinesas
oprimidas por esse
casamento desavergonhado
entre comunismo e
capitalismo.
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Sem esquecer que os
atletas foram orientados
pelos seus respectivos
Comitês Olímpicos a
limitar as suas
atividades às
competições esportivas,
ou seja, nada de ficar
dando palpite sobre o
Tibet, direitos humanos,
liberdade de expressão,
etc. e tal. Que
tratem de quebrar
recordes na maçaroca
hiper-poluída dos ares
da capital chinesa e não
venham com desculpas
esfarrapadas.
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Não bastasse tudo isso,
o esquema de segurança
montado pelo governo e
partido não tem paralelo
na história recente dos
Jogos Olímpicos. Forças
policiais controlam
ônibus e metrô e veículos
com placas de fora
passam por intensivos
controles. Calcula-se
que mais de 30.000
vigilantes estão em ação
nas estações rodoviárias
para imediatamente
prender qualquer
suspeito.
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O acesso à praça da Paz
Celestial só é possível
depois de passar por um
rigoroso controle
policial.
Jornalistas estrangeiros
só podem visitar a praça
depois de notificar
previamente a polícia e
obter uma autorização
especial. A ditadura
chinesa quer evitar a
todo custo que sejam
feitas entrevistas
espontâneas. |
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Dezenas de milhares de
câmeras de vídeo
registram tudo na
capital chinesa.
Calcula-se que foram
instaladas mais de
200.000 câmeras para
detectar qualquer
movimento estranho.
34.000 soldados foram
destacados para garantir
a segurança em Pequim,
inclusive forças
especiais para defesa de
ataques nucleares,
químicos e biológicos. |
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Não muito longe do
Estádio "Ninho de
Pássaros", o exército
chinês montou diversas
unidades de mísseis
terra-ar para prevenir
eventuais ataques aéreos,
seja de quem for. |
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Os chineses estão com os
nervos à flor da pele
porque acham que setores
da mídia ocidental estão
louquinhos para apontar
erros na organização dos
Jogos. Por isso, os
anfitriões querem
que tudo funcione à
perfeição. Para atingir
esse objetivo da
"organização perfeita"
pagam qualquer preço,
inclusive o de mostrar
ao mundo uma falsa
realidade: Pequim foi
transformada numa
cidade-modelo limpa ao
extremo, mendigos e
sem-teto foram expulsos,
dissidentes estão
presos, protestos não
são permitidos e os
soldados marcham ao lado
do "Ninho de Pássaros". |
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E assim a alegria
espontânea e contagiante
de tantas outras
Olimpíadas corre o sério
risco de ficar pelo
caminho dando passagem à
uma burocracia
robotizada e cinzenta,
emblemática para a
poluição ambiental que
cobre a cidade. |
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Em 2001, quando Pequim
foi agraciada com a
nomeação, as autoridades
chinesas prometeram os
"melhores" jogos
olímpicos de todos os
tempos. O discurso agora
é outro: a promessa é
que teremos as
Olimpíadas "mais
seguras". Então tá.
Para bom
entendedor, um pingo é
letra. |
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