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27.9.2011
Um incêndio e muitas
dúvidas
Como o sonho de um jovem
brasileiro virou
pesadelo
Gerd Wenzel |
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Na madrugada do dia 20
de setembro, no elegante
bairro de Grünwald em
Munique, uma bela casa
ardia em chamas e foi
completamente destruída,
restando apenas as
paredes de alvenaria.
Era a casa do jogador
brasileiro Breno,
contratado pelo Bayern
Munique a peso de ouro
em janeiro de 2008
quando o zagueiro tinha
18 anos de idade. |
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Vestindo apenas um
calção, Breno conseguiu
escapar do fogo que se
alastrava rapidamente
pela casa e foi para a
rua chamando por
socorro. Teve apenas
algumas escoriações e,
por ter inalado muita
fumaça, apresentava
sinais de intoxicação.
Foi socorrido pelos
para-médicos do resgate,
aos quais, de acordo com
relatos de testemunhas e
do jornal "Sueddeutsche
Zeitung", teria entregue
três isqueiros. Sua
esposa e seus filhos não
se encontravam na
residência. |
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Breno foi levado a um
hospital para permanecer
em observação e, de
acordo com o diretor de
esportes do Bayern,
Christian Nerlinger,
"estava em estado de
choque, mas já em fase
de recuperação".
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No dia seguinte,
investigadores da
polícia, técnicos
especialistas e um cão
farejador iniciaram a
busca por indícios que
pudessem levar à uma
conclusão sobre a origem
do incêndio. No mesmo
dia, o proprietário da
casa manifestava sua
surpresa pelo fato do
fogo ter consumido com
tanta rapidez a casa
inteira, visto que o
imóvel tinha sido
totalmente reformado há
apenas um ano. Havia um
seguro contra incêndio,
mas que não seria pago
se ficasse comprovada a
responsabilidade,
intencional ou não, do
inquilino ou do
proprietário, no sinistro.
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Na sexta-feira, 23 de
setembro, a reviravolta
do caso: de testemunha,
Breno passou a ser o
principal suspeito. O
procurador T.S. Koch
afirmava: "...há fortes
indícios de que houve uma ação
intencional no sentido
de provocar o
incêndio", justificando
desta forma o
indiciamento do jogador
brasileiro e
acrescentava: "...vamos
confrontar Breno com
fatos novos para que ele
possa se defender e dar
a sua versão." De
acordo com o código
penal alemão, a pena
mínima para o crime de
incêndio intencional é
de um ano de prisão.
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A diretoria do Bayern de
Munique reagiu com
surpresa ao indiciamento
do atleta e lhe sugeriu
um imediato tratamento
psicológico com eventual
internação no famoso
Instituto Max Planck de
Psiquiatria em Munique. |
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No dia seguinte, sábado,
24 de setembro, sob a
alegação de que havia a
possibilidade de Breno
fugir do país e / ou
ocultar provas, a juíza
de instrução do caso
aceitou os argumentos da
procuradoria de Munique
e expediu um mandado de
prisão contra o jogador
que foi detido no mesmo
dia e levado para a
Penitenciária de
Munique, onde permanece
na enfermaria do
estabelecimento
prisional sob cuidados
médicos. |
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Logo após a detenção de
Breno, a diretoria do
Bayern de Munique
manifestava a sua
indignação. Uli Honess,
presidente do clube,
afirmava:"A
prisão de Breno é
inadmissível. É algo que
jamais achei ser
possível acontecer no
nosso país. Sabemos que
nem tudo está
esclarecido, mas o
teatro que a
procuradoria de Munique
faz em torno desse caso
é uma loucura. Estamos
atônitos com a ação da
polícia.
Breno deveria estar num
hospital e não numa
prisão".
Karl-Heinz Rummenige, diretor executivo do Bayern, declarou ao jornal Merkur de Munique: "Vamos apoiar
Breno nessa situação. É preciso ressaltar que, de
acordo com a lei alemã, vale a presunção de inocência enquanto
não houver prova em
contrário."
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Ninguém sabe ao certo o
que aconteceu de fato
naquela noite fatídica
na casa de Breno, a não
ser ele mesmo. Por
enquanto, de acordo com
a polícia, há apenas
indícios. O próprio
encarregado do
inquérito, o procurador
T.S. Koch, declarou numa
de suas inúmeras
entrevistas: "Breno terá
a oportunidade de
esclarecer tudo."
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Isto posto, é preciso
deixar claro que num
Estado de Direito
qualquer suspeito de uma
ação criminosa é
considerado inocente até
prova em contrário. Não
é diferente na Alemanha
e a Justiça daquele país
tem a obrigação de
garantir a integridade
física e psíquica de
Breno, assegurar-lhe
pleno e amplo direito de
defesa na presença de um
advogado, além de zelar
pela manutenção de sua
dignidade como ser
humano enquanto estiver
no estabelecimento
prisional.
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O Bayern de Munique,
empregador de Breno,
manifestou verbalmente
apoio ao jogador através
dos membros de sua
diretoria. Está na hora
de transformar palavras
ditas na imprensa em
ações concretas de
apoio. O clube, convicto
da inocência do seu
atleta, não deve medir
esforços para obter sua
libertação provisória
mediante pagamento de
fiança para que Breno
possa aguardar em
liberdade as ações do
poder judiciário
enquanto não for
determinada
definitivamente a sua
responsabilidade no
incêndio. Além disso, o
clube tem a obrigação de
zelar pela saúde do seu
jogador, seja através do
seu próprio departamento
médico, seja através da
rede hospitalar de
Munique.
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Breno saiu muito jovem
do Brasil para uma terra
estranha e de cultura
completamente diferente.
Foi jogar no maior clube
da Alemanha, onde a
concorrência é brutal e
não conseguiu se firmar
como titular na equipe.
No decorrer do percurso,
sofreu com contusões das
quais não se recuperou
completamente até hoje,
além de passar por
problemas de ordem
estritamente pessoal.
Sabe-se agora que vivia
bastante isolado em sua
bela casa num bairro
elegante de Munique. Mal
falava alemão e tinha
muitas dificuldades de
se integrar à uma
sociedade refratária a
novos relacionamentos.
Comparecia ao Centro de
Treinamento do Clube
apenas para tratar de
sua reabilitação física
fazendo fisioterapia.
Queixava-se de dores no
joelho e temia por uma
nova intervenção
cirúrgica. O seu grande
sonho de uma promissora
carreira no futebol
internacional foi
consumido pelo fogo e
acabou virando um grande
pesadelo na madrugada de
20 de setembro.
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