Dois medrosos e um discurso tipo ‘mais do mesmo’

Nada de revolução, nada de um novo começo. O que Joachim Löw e Oliver Bierhoff apresentaram soa como mais do mesmo, o que pode acabar representando a ruína do técnico da seleção alemã.

29.08.2018, Bayern, München: Deutsche Fußball-Nationalmannschaft, Präsentation der WM-Analyse und Kader-Bekanntgabe für die Länderspiele gegen Frankreich und Peru. Bundestrainer Joachim Löw (l)und Teammanager Oliver Bierhoff bei der Pressekonferenz. Foto: Sven Hoppe/dpa +++ dpa-Bildfunk +++

Reinhard Grindel, presidente da Federação Alemã de Futebol,  declarou, em 28 de agosto, que a seleção alemã “não pode continuar do jeito que está”. No dia seguinte, o técnico Joachim Löw e o manager Oliver Bierhoff vieram a público para dar a resposta. E a resposta deles foi: continuamos do jeito que está.

Claro que muita coisa precisa mudar, como os ajustes em campo, a tática e o sistema de jogo. Contudo essas questões envolvem exatamente as mesmas pessoas que fracassaram na Copa do Mundo na Rússia. Pode até funcionar, pois a ideia de recuperação é um estímulo forte no esporte. Mas esse primeiro passo de Löw e Bierhoff, após dois meses de silêncio e reflexão, parece muito tímido e sem confiança.

No aspecto esportivo vai se procurar “minimizar o risco”, disse Löw. É exatamente essa a ideia por trás do plano. Ousadia, recomeço, espírito desbravador e experiências, mesmo que cobrem um alto preço no próximo torneio, para depois colher os frutos na Euro 2020 ou na Copa do Mundo 2022, são iniciativas que a comissão técnica e a federação não tem coragem de tomar.

Löw parecia nervoso: durante a coletiva de imprensa na última quarta-feira, ele simplesmente lia parte da sua explicação feita no PowerPoint.  A veemência e a intensidade que a situação exigia passaram completamente despercebidas pelo técnico.  Löw, por ter renovado contrato como treinador da seleção alemã pouco antes da Copa da Rússia, ficou em uma posição forte, mesmo com o fracasso na competição. Mas  nos quesitos liderança e soberania ficou devendo. O treinador deveria mostrar mais humildade, mas tudo indica que ele desconhece essa palavra.

Poucos minutos de autocrítica

Ao lado de Löw, Bierhoff, após fazer tímidas autocríticas durante alguns poucos minutos, retomou a atenção para o significado da sua função ao dizer o quanto era difícil as pessoas imaginarem como as últimas semanas foram complicadas para ele.  Impassível, ele anunciou que gostaria de falar “com outras partes interessadas”. É o tipo de frase que ninguém gostaria de ouvir de Bierhoff em uma situação como essa.

O caso Mesut Özil também merecia mais atenção. O treinador da Alemanha abriu suas explicações com a infeliz frase “Talvez um tema: Mesut Özil”, como se metade do país não tivesse tratado do assunto durante semanas. Löw e Bierhoff não são políticos. O treinador não é um cientista social, e ninguém deveria exigir dele uma análise da sociedade ou uma aula sobre racismo.  Löw é apenas um técnico. Mas espera-se que ele ao menos se referisse às manifestações de Özil da maneira correta, em vez de falar sobre acusações de racismo dentro da seleção alemã que, por sinal, Özil não fez.

Recentemente, Antonio Rüdiger, zagueiro da seleção alemã, ficou surpreso com todo mundo falando sobre racismo na seleção alemã, apesar de Özil jamais ter afirmado isso.  O que Rüdiger fez com a maior facilidade, o técnico da seleção alemã também poderia ter feito, ainda mais após pensar no assunto de forma intensiva durante várias semanas. Preferiu desconversar.

Para o futebol alemão, a eliminação da Copa na fase de grupos se tornou um fato inédito: desde 1938 a Alemanha não era eliminada do torneio de maneira tão precoce. Pode-se falar até mesmo de um momento histórico. Mas não foi essa a impressão que ficou entre os participantes da coletiva de imprensa realizada na última quarta-feira.

Perguntados se todo o processo de reflexão sobre o fracasso da Alemanha no Mundial da Rússia vai continuar, nem Löw e muito menos Bierhoff souberam responder ao certo.

Mas, pensando bem, a resposta é simples: se não houver sucesso em campo, o debate certamente vai continuar. Só que não será sobre Mesut Özil, mas sobre Joachim Löw.

 

De spiegel.de

Tradução: Rodrigo Wenzel

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