No caso Özil não há vencedores

A aposentadoria por vontade própria de Mesut Özil da seleção alemã pode até ser uma vitória para todos aqueles que não o perdoaram por ter tirado uma foto com o presidente turco Erdogan, mas ao fim e ao cabo, nesta tumultuada e histérica polêmica sobre um retrato, não há vitoriosos.

Özil preferiu dar adeus à Mannschaft em vez de reconhecer que cometeu um erro bobo ao posar com um chefe de Estado que faz de tudo que pode para extinguir o que resta de democracia na Turquia.

Ao mesmo tempo, porém, parte da mídia também errou ao transformar um retrato em um caso gigantesco de escândalo político e esportivo, explorando sem a menor cerimônia o ideário racista de muito leitores e telespectadores. E teve ainda  políticos oportunistas que agiram da mesma forma para agradar eventuais eleitores da extrema direita.

Özil, de repente, se tornou o bode expiatório da nação.

Mas, o pior papel neste imbróglio ficou mesmo para a Federação Alemã de Futebol (DFB) que não apenas abandonou o jogador nesta situação, mas o responsabilizou pela histórica eliminação da Alemanha na Copa do Mundo.

O diretor esportivo Oliver Bierhoff e, especialmente o presidente Reinhard Grindel (ex-deputado da CDU que, na década de 90, havia votado contra a Lei da Dupla Nacionalidade), fizeram de tudo para tornar Mesut Özil o bode expiatório do fracasso da Alemanha na Copa da Rússia.

Lembrando as palavras do jogador: “O tratamento que recebi da Federação e de muitos outros fez com que eu não queira mais usar a camisa da seleção da Alemanha. Eu sinto que não sou benquisto. Para Grindel e seus apoiadores, sou alemão quando vencemos, mas quando perdemos sou um imigrante”.

Triste momento pelo qual passa o futebol alemão que não cansa de se vangloriar de suas políticas de integração e de sua natureza cosmopolita.

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    3 thoughts on “No caso Özil não há vencedores

    1. Comento pela primeira vez aqui…
      Não vejo nenhum erro na foto de Ozil com Erdogan. Esqueceram todos de dizer que eles se encontraram num evento organizado pela rainha quando Erdogan estava em visita oficial, e então o protocolo britânico convidou Ozil e Ilkay.
      Se Ozil errou então, o Papa errou, Merkel errou, Macron errou, Trump errou, Obama errou, Hollande errou, pois todos têm fotos com Erdogan e são fáceis de encontrar na internet. Só que com nenhum deles, a mídia criou polêmica.
      Concordo com todo o artigo, menos na frase que condena Ozil pela foto.
      Quanto às atitudes dos dirigentes dos clubes e federação na Alemanha, são de vomitar. Espero que a Alemanha de hoje não seja isso, senão realmente, esperemos o pior.

    2. Errou porque? Qual o problema em tirar foto ao lado de um compatriota? Na copa criticaram o Vida da Croácia por causa de uma frase. Ele pode ser amigo do político e não concordar com a política dele. Você mesmo saiu em defesa de uma presidente corrupta do Brasil e nem por isso te chamaram de corrupto! O grande problema aí é a onda de insinuações que vocês da imprensa fazem em torno de uma simples foto ou declaração. O racismo e xenofobia também se tornam muito maiores quando vocês fomentam e insinuam.

    3. Concordo com seu comentário. Houve um mau gerenciamento de uma crise que poderia ter sido estancada no começo. A polêmica imigratória, sempre predente, assim como a eliminação prematura ajudaram a entornar o caldeirão.

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