Qatar 2022: a copa dos escravos

Operários da construção no Qatar (Foto Reuters / Fadi Al-Assad)

Operários da construção no Qatar (Foto Reuters / Fadi Al-Assad)

As equipes do Bayern Munique e do Schalke fizeram a sua pré-temporada para o returno da Bundesliga no Qatar há poucas semanas, acompanhados dos cartolas e de centenas de torcedores alemães. Se hospedaram em hotéis seis estrelas usufruindo da ostentação e do luxo de um dos países mais ricos do mundo.  Quando voltaram para a Alemanha não disseram uma única palavra sobre as condições de trabalho no país impostas aos trabalhadores estrangeiros na construção dos estádios para a Copa do Mundo da FIFA 2022.

Agora, o jornal inglês The Guardian põe a boca no trombone. Já há alguns meses se sabia que em julho e agosto morreram pelo menos 44 operários do Nepal nas obras das mirabolantes arenas que estão sendo construídas para o torneio milionário da FIFA. Agora o diário britânico vai mais longe e diz com todas as letras que nos últimos dois anos morreram 382 operários nas construções dos estádios. Até agora essa informação não foi contestada pelos donos do poder no Qatar

E tem mais: de acordo com o jornal “Sueddeutsche Zeitung” de Munique, em matéria do repórter Detlef Esslinger desta terça-feira, aqueles que conseguem sobreviver estão sujeitos a indignas condições de trabalho: um operário estrangeiro recebe R$ 1.000,00 brutos por mês, é obrigado a pagar uma taxa de R$ 3.000,00 para ter direito ao trabalho. Vive num minúsculo alojamento com outros 25 colegas de infortúnio e começa o seu turno de trabalho às 4:30 da madrugada e volta para o seu cubículo às 19:00.

Para piorar, os salários são pagos em períodos irregulares – alguns meses sim, outros não. Além disso, o empregador retém o passaporte do trabalhador estrangeiro, o que na prática faz com que o empregado se sujeite à qualquer situação na esperança de logo recuperar seu passaporte e voltar para sua terra natal.

O presidente da Federação Internacional dos Sindicatos (IGB), Michael Sommer, declarou com todas as letras que no “Qatar existem condições de trabalho equivalentes à escravatura.” Enquanto isso, alguns funcionários burocratas das entidades internacionais de futebol não se cansam de repetir que “em outros países existem outros costumes e que nem tudo pode ser como é na Europa.”

Quando há três anos foi confirmado que a Copa do Mundo da FIFA 2022 seria no Qatar, o Embaixador do Emirado na Alemanha declarou a alto e bom som que a realização desse grandioso evento em seu país é uma prova clara  “da abertura da cultura e da sociedade do Qatar para o mundo”.  Pelo que se viu e ouviu até agora sobre o país, nada está mais longe da realidade do que a afirmação esdrúxula do seu embaixador.

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