Rússia vence a Espanha nos pênaltis, vai às quartas da Copa do Mundo e decreta morte do tiki taka

O tiki taka morreu neste domingo, dia 1º de julho de 2018.

10 anos depois de ganhar vida pela mente de Josep Guardiola no Barcelona, e depois também na seleção espanhola pelas hábeis mãos de Luis Aragonés e Vicente Del Bosque, o estilo de jogo que dominou o futebol por um longo período foi sepultado no estádio Luzhniki.

Foi na capital Moscou que a Rússia venceu a Espanha por 4 a 2 nos pênaltis, após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar, neste domingo, pelas oitavas de final da Copa do Mundo 2018, e decretou o último suspiro de uma era.

Foram tempos marcados pelo amplo domínio da posse de bola, pelos constantes toques laterais e pelo repúdio ao chutão, com a bola trabalhada sendo o único caminho da felicidade.

Um estilo de jogo que teve no Barcelona seu maior expoente, mas também viu lampejos em outros times comandados por Guardiola, como Bayern de Munique e Manchester City.

Foi um modo de pensar futebol que levou a Espanha a dois títulos de Eurocopa e um de Copa do Mundo, transformando uma seleção com fama de perdedora em uma potência mundial.

Foi… Não é mais.

A partir de hoje, o tiki taka ganha uma lápide em Moscou, e ficará enterrado no estádio Luzhniki. Enquanto isso, La Roja agora terá que encontrar uma nova filosofia para tocar em frente.

Afinal, o recorde de passes trocados em um jogo de Copa do Mundo (1.178 tentados, 1.054 completados) e a posse de bola de 78,2% de nada valeram aos ibéricos, eliminados nas oitavas do torneio, após chegarem como um dos top 3 favoritos para conquistar o título.

No tempo normal, Ignasevich, contra, abriu o placar para a Espanha, enquanto o centroavante Dzyuba empatou de pênalti ainda na primeira etapa.

Após prorrogação sem gols, brilhou nos pênaltis a estrela do goleiro Akinfeev, que defendeu cobranças de Koke e Aspas e foi o grande herói da inesperada classificação russa para a próxima fase.

Agora, a Rússia aguarda o vencedor da partida entre Croácia e Dinamarca para saber quem será seu próximo rival. O confronto das quartas será no próximo sábado, no Estádio Olímpico Fisht, em Sochi, às 15h (de Brasíia).

O JOGO

Com três importantes modificações na escalação (Nacho por Carvajal, Koke por Thiago e Asensio por Iniesta), a Espanha começou o jogo errando muito, com a bola “queimando”. Os russos, por sua vez, iam no embalo da torcida, em maioria arrebatadora no Luzhniki, tentando algo nos contra-ataques.

Aos poucos, porém, La Roja foi se impondo em campo e levando a bola para perto da área. E, aos 11 minutos, isso se provaria fatal. Após a zaga russa cometer falta na lateral da área, David Silva levantou, o zagueiro Ignashevich se atrapalhou ao tentar marcar Sergio Ramos e mandou para as próprias redes.

Esse foi o 10º gol contra do Mundial 2018, que já é recordista no quesito, com quatro tentos de vantagem para a Copa da França, em 1998.

A torcida russa, porém, não esfriou, e seguiu empurrando seu time, agora em busca do empate. Uma boa oportunidade saiu dos pés do volante Zobnin, que encheu o pé de fora da área, dando um susto em De Gea.

Sem muita criatividade e indo mais na base do coração, a equipe da casa teve mais uma grande chance aos 35, quando Golovin aproveitou sobra de bola na área, cortou a marcação com um drible seco e bateu colocando, buscando o canto oposto de De Gea. A bola tirou tinta da trave e saiu, para desespero dos fãs.

E a pressão deu certo apenas quatro minutos depois: após cobrança de escanteio, Dzyuba cabeceou e a bola acertou o braço de Piqué: pênalti marcado pelo experiente árbitro holandês Bjorn Kuipers. Na cobrança, o próprio Dzyuba bateu com muita categoria, deslocando De Gea e empatando para os anfitriões.

Foi o 26º pênalti marcado neste Mundial, e a 20ª cobrança convertida – recorde absoluto na história do torneio da Fifa.

Na última boa chance da primeira etapa, já nos acréscimos, Diego Costa recebeu bola enfiada e chutou na saída do goleiro Akinfeev, que defendeu com o peito. Na sobra, por pouco Isco não conseguiu completar para as redes, mas ela acabou escapando e encerrando a primeira etapa com 1 a 1 no placar.

Na segunda etapa, o técnico Stalislav Cherchesov tirou o veterano Zhirkov, que levou um baile na lateral no primeiro tempo, e colocou Granat para tentar acertar a marcação e a conseguir a virada.

No entanto, o panorama do jogo seguiu parecido: a Espanha era a dona da bola e fazia seu tiki taka na intermediária, enquanto a Rússia marcava de maneira feroz e tentava o gol no contra-ataque, que passou a ser puxado principalmente por Cheryshev após sua entrada no lugar de Samedov.

O jogo era equilibrado, sem grandes chances para os dois lados, e os treinadores buscavam alternativas: Hierro tirou David Silva e colocou o veterano Iniesta, enquanto Cherchesov sacou o exausto Dzyuba e colocou Smolov para dar sangue novo ao ataque.

A 5 minutos do fim, por muito pouco La Roja não chegou ao gol da vitória: após jogada pela esquerda, Iniesta apareceu livre na entrada da área e disparou no canto, para grande defesa de Akinfeev. No rebote, Asensio quase conseguiu completar para as redes, mas seu chute saiu torto e foi afastado.

Na última chance do tempo regulamentar, o zagueiro Sergio Ramos tentou um de seus tradicionais gols salvadores de cabeça nos acréscimos, mas mandou por cima. Era mesmo hora de prorrogação, a primeira da Copa de 2018.

A prorrogação começou com boa chegada da Espanha: aos 4 minutos, depois de mais uma longa troca de passes, Asensio experimentou de fora da área e Akinfeev garantiu a defesa em dois tempos.

O goleiro russo também apareceu bem no último lance do primeiro tempo extra, agarrando com firmeza uma cabeçada de Piqué no centro do gol, mantendo o placar cravado em 1 a 1.

Akinfeev voltou a salvar sua equipe logo no retorno para o segundo tempo da prorrogação, fazendo grande intervenção em chute cruzado do brasileiro naturalizado espanhol Rodrigo, que passou pelas categorias de base do Flamengo.

No restante do tempo, os anfitriões se defenderam com a faca entre os dentes até levarem o jogo para as penalidades, com destaque para a grande partida do lateral direito brasileiro naturalizado russo Mário Fernandes, ex-Grêmio.

ESPANHA 1 (3) x 1 (4) Rússia

Local: Estádio Luzhniki, em Moscou (RUS)
Data: 1º de julho de 2018, domingo
Horário: 11h (de Brasília)
Público: 78.011
Árbitro: Bjorn Kuipers (HOL)
Assistentes: Sander van Roerkel e Erwin Zeinstra (ambos HOL)
VAR: Danny Makkelie (HOL), Mark Borsch (ALE), Pawel Gil (POL) e Felix Zwayer (ALE)
Cartões amarelos: Piqué (ESP), Kutepov (RUS), Zobnin (RUS)

GOLS: ESPANHA: Ignashevich (contra), aos 11 minutos do primeiro tempo. RÚSSIA: Dzyuba (pênalti), aos 41 minutos do primeiro tempo

ESPANHA: De Gea; Nacho (Carvajal), Sergio Ramos, Piqué e Jordi Alba; Busquets, Koke, David Silva (Iniesta), Isco e Asensio (Rodrigo); Diego Costa (Aspas) Técnico: Fernando Hierro

RÚSSIA: Akinfeev; Mário Fernandes, Ignashevich, Kutepov e Kudryashov; Zobnin, Zhirkov (Granat), Kuzyaev (Erokhin), Samedov (Cheryshev) e Golovin; Dzyuba (Smolov) Técnico: Stalislav Cherchesov

por espn.com.br

Compartilhe

    Deixe uma resposta

    O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *